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Qualidade na
Semente de Arroz. |
O processo de
produção do arroz irrigado passa por várias etapas. Hoje, o IRGA
multiplica a idéia de que temos potencial de produção ao redor
de 10.000 Kgs por hectare. Porquê então estamos estacionados em
aproximadamente 6.000 kgs/ha?
Inúmeros são os motivos pelos quais colhemos o indicado na média
de produção, que diga-se de passagem é maior que a média
estadual. Parabéns aos produtores que alcançam uma média igual
ou superior aos 6.000 Kgs/ha! De outro lado, temos de perseguir
este alto potencial produtivo, pois na verdade estamos deixando
de ganhar.
Alguns itens importantes no processo produtivo, a seguir serão
comentados:
* Preparo do solo - hoje cabe ressaltar a importância do cultivo
mínimo, plantio direto, sistematização, enfim todos estes
sistemas de produção que agridem o mínimo possível nosso bem
maior que é o solo, pois o estamos protegendo para nossas
futuras gerações, se assim o utilizarmos.
* Época de Plantio - talvez o item mais significativo em termos
de rendimento por área agrícola. Não pode o produtor em hipótese
alguma errar a época de plantio. Tem de ser de acordo com a
recomendação da pesquisa. Faça chuva ou faça sol...
* Adubação - item de grande importância num empreendimento
agrícola, pois se não fornecermos alimento à planta cultivada,
como poderá ela externar seu potencial de produção? Especial
atenção ao item fertilidade deverá ser dispensada. Tecnologia
disponível e indispensável atualmente. Talvez um dos itens que
mais respostas dão ao produtor. Ferramenta importante portanto,
e que todos deveriam ater-se para obter altos rendimentos.
* Combate aos inços - a competição das "ervas daninhas" com a
planta cultivada é outro item onde a atenção do produtor deve
ser igualmente especial, pois pode o produtor perder, diminuir
sua colheita se o mesmo não for bem sucedido. Um bom
planejamento estratégico deve primar na atenção ao combate dos
inços.
* Manejo da Água - assim como o combate aos inços, a entrada da
irrigação no processo produtivo, exige que o arrozeiro seja
profissional. Sabe-se da importância deste insumo na lavoura de
arroz, pois de nada adianta combatermos as ervas daninhas, se
não tivermos água disponível, assim que terminada a aplicação
dos defensivos. Ou seja, aumenta a eficiência no controle dos
inços a irrigação imediata após a aplicação química.
* Controle de pragas - atualmente é recomendável o monitoramento
da lavoura, pois as pragas estão habitando o mesmo local do
empreendimento agrícola, senão o mesmo, as redondezas da área. O
controle destas pragas dar-se-á em função do número de
insetos/pragas que estão infestando a área, só cabendo o
controle químico, na medida em que o dano for significante, ou
que justifique o seu combate.
Creio que de maneira genérica consegui dar algumas pinceladas
sobre o empreendimento duma lavoura de arroz irrigado, para
altas produções.
De nada adianta atentarmos a tudo isto comentado até aqui se não
iniciarmos pelo início. Redundância?
Uma lavoura bem conduzida começa na utilização de uma boa
semente. Esta é a chave de todo o nosso negócio de produção de
grãos.
Como então deveria ser a qualidade desta semente?
Coloco como importância primeira a procedência do produto. O
produtor tem de saber a procedência, de preferência conhecer a
unidade produtora, saber a origem da semente (lavoura em que a
mesma foi produzida), quais foram seus tratos até apresentar-se
como semente. O processo de produção de sementes começa na
lavoura, ainda que alguém pense ser possível produzir sementes
de boa qualidade numa UBS (Unidade de Beneficiamento de
Sementes).
Algo da maior importância em sementes é o ponto de colheita. Às
vezes até possuímos uma excelente área com produto que se
enquadra aos padrões sementeiros, porém na época da colheita,
ocorrem chuvas sucessivas até conseguirmos efetivamente
colhermos a área. Ocorre o que chamamos de ponto fisiológico na
colheita, ultrapassado em casos de chuvas excessivas neste
período, pois o grão uma vez que é um ser vivo, respira, absorve
água durante a chuva, e a perde quando abre o sol. Se o período
é chuvoso, as perdas são constantes em termos de germinação.
Cada vez que isto acontece, o grão perde o potencial
germinativo, pois em absorvendo umidade e respirando, seu
metabolismo está ativo, e naturalmente a planta necessita
perpetuar-se e inicia o processo germinativo. Gasta desta forma,
suas reservas no embrião, o que certamente compromete o
percentual de germinação. Daí ser importante os cuidados neste
período de colheita.
Também a presenças de espécies nocivas (toleradas e proibidas)
devem ser cuidadas, pois suas presenças impedem que o grão seja
considerado semente. Arroz preto - nociva proibida e Arroz
vermelho-nociva tolerada; Guanxuma como espécie tolerada também,
só para citar alguns exemplos.
Existem normas e padrões de produção de sementes para o estado
do Rio Grande do Sul, fiscalizados pela Secretaria Estadual de
Agricultura e Abastecimento, mais específicamente pelo
Departamento de Produção Vegetal desta Secretaria de Estado.
O produtor deve levar seu empreendimento agrícola sempre com o
maior capricho possível, pois também pode produzir a sua
semente, constituindo-se este fato hoje da maior importância,
pois é um procedimento já bastante adotado no meio arrozeiro
alegretense.
Produzir sua própria semente, como fator de redução de custos é
desafio à todos, pois logicamente aumentam suas margens de lucro
na lavoura, ou ainda reduzem-se os custos unitários dos sacos de
arroz produzidos. É assim importante saber quem irá processar a
semente no pós-colheita. Não basta passar este produto numa
pré-limpeza. Numa UBS bem formatada tem de estar disponível uma
boa recepção ao produto, de forma que a hipótese de haver
mistura varietal seja nula, ou quase zero. O processo de secagem
também tem de ser especialmente cuidadoso. Temperaturas muito
elevadas podem comprometer o processo germinativo futuro desta
semente. Um armazenamento adequado, com bom controle de pragas e
arejamento seria considerado também de alta importância. Quem
irá prestar este serviço qualificado deve ser uma empresa
idônea, pois trocas de produtos são constantes em UBSs.
Outro fator atual e importante ressaltar, é uma vez o produtor
fazendo sua própria semente, estará mantendo um banco genético
que num futuro bem próximo, poderemos o estar substituindo por
materiais genéticamente modificados. Daí tudo decorrente desta
nova tecnologia, será consequência, pois certamente àqueles que
a desenvolverão nos cobrarão royaltties.
Com este pequeno artigo, gostaria de ter contribuído ao processo
de produção de arroz alegretense, pois entendo que o mesmo para
o município é da maior relevância, uma vez que é gerador de
riquezas, empregos diretos e indiretos, impostos, enfim, gerador
de qualidade de vida à todos envolvidos na Cadeia Produtiva do
Arroz.
César Augusto Pires Moutinho.
Engenheiro Agrônomo.
cesar.moutinho@net.crea-rs.org.br
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Que Brasil é
este? |
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Ultimamente temos acompanhado as mudanças de
comportamento do Povo Brasileiro, a partir de nossos
governantes, que são reflexos de nossas escolhas.
O cidadão está proibido de armar-se. Se algum cidadão de
bem for pego armado, cadeia, como crime inafiançável!
Esta é uma nova MP, lançada agora pelo Governo que
antigamente repudiava o governar por MP, de FHC.
Desarma-se o cidadão, como medida punitiva a quem quer
tão somente proteger-se, já que o estado não toma as
atitudes que deveria. Em contrapartida, o marginal corre
livremente pelas ruas das cidades, e armado. Sem que
ninguém o interpele, realiza seu labor, que é justamente
o assaltar e apoderar-se do que não é seu de direito,
usufruindo do bem que apoderou-se. Seja para compra de
drogas, seja para seu sustento, seja para o que for...
Alegrete viveu uma onda de assaltos a mão armada, jamais
vista por estas bandas. Agentes Lotéricos apavorados,
transeuntes cuidando-se nas vias públicas para não serem
assaltados, lojas e estabelecimentos comerciais
instalando câmaras de vídeos e alarmes como medidas
preventivas, cercas eletrificadas em muros cada vez mais
altos nas residências, enfim todo um aparato está sendo
montado com o único objetivo de protegerem-se.
E o estado, que tem a obrigação de manter a ordem
pública onde anda?
A polícia depende da boa vontade dos contribuintes, pois
estes, quando necessitam do amparo policial, ainda têm
de contribuir com gasolina. Nossos governantes que
elegeram-se à base de promessas, entre elas a da
segurança pública, agora sentem-se amarrados à situação
falimentar do Estado. Não sabiam?
Nossos "azuizinhos", não podem utilizar armas, pois
assim nossa legislação não permite. A razão seria que a
densidade demográfica é pequena para o município, sendo
facultado o uso de armas de fogo pela guarda municipal,
somente à municípios que possuem mais de 500.000
habitantes.
Desarmaram o cidadão! E o ladrão?
Qual o interesse em desarmar o cidadão?
Também estamos acompanhando os últimos acontecimentos do
Caso Waldomiro Diniz. No mínimo, há indícios de
corrupção! Necessita averiguação! E punições, se
comprovadas as acusações!
Neste caso, o governo está agindo como aquele marido
traído, que mesmo sabendo da infidelidade da esposa no
sofá da sua sala, resolve tomar uma medida drástica:
troca de sofá!
Agora, como houve publicação da podridão do governo via
TV, escancarados aos quatro ventos, resolve como medida
punitiva fechar os Bingos. Outra MP (mais MP...- lembram
do FHC Presidente?)! Como é fácil governar por MP! Será
que todos envolvidos com os Bingos têm culpa nesta
maracutaia? Como começaram os Bingos, se o jogo no
Brasil ERA proibido? Não seria de bom alvitre, ir na
causa para corrigir o problema? Onde está vossa
austeridade Sr. Presidente? Que dizer de vosso ajudante,
Sr. José Dirceu? Não sabia do problema, mas era íntimo
do Sr. Waldomiro Diniz. Só quero entender...
Diariamente em nossos lares, entra via TV a maior
podridão, afetando o comportamento da população
brasileira, pois mais vale a ação dos malfeitores do que
as ações dos benfeitores. Parece que só ganham aquelas
pessoas que fazem de tudo para se dar bem na vida, mesmo
que passem por cima de tudo e todos, ainda que com algum
custo, até de vidas humanas. Somos realmente o país da
Lei de Gérson, aquele que só leva vantagem em tudo,
certo?
Quem trabalha honestamente neste país não tem vez!
Pelo menos é o que parece, pois estão aí a nos lembrar
os Lalaus, os Waldomiros, os Sérgios Naias. Dá pena
saber que estamos deixando para nossas gerações futuras
um país que precisa ser refeito, pois como está, creio
que estamos partindo para uma convulsão social. Temos
saída? Que dizer da forma como estamos sendo governados?
Onde está a austeridade governamental?
Em nossos lares, quando o cinto aperta, somos os
primeiros a reagir, apertando-o, não é mesmo? Somos
muito hábeis em trocar bens de consumo, em substituir
necessidades, enfim, em economizar para multiplicar
nossos ganhos. Pelo menos para que represente maiores
ganhos.
No mínimo esperamos que os governos ajam da mesma forma,
ou seja, economizando. Mas observamos que o governo
segue gastando. Vejamos o número de CC's em cada
governo! Entra governo e sai governo e a ciranda dos CC's
aumenta, jamais diminui...
Atitude fácil para contornar a receita: subam-se as
alíquotas para aumentá-la. Assim é fácil, pois a partir
de hoje, também resolvi aumentar meu salário! Quem me
pagará? Pena que sou autônomo... Como seria fácil
agirmos assim? - É assim que o governo age! Cadê a
austeridade tão propalada? E não falo só na esfera
federal, na estadual também.
Nosso Rio Grande do Sul, nunca passou por tão vexatória
situação, de não ter como pagar seu funcionalismo. É uma
vergonha!
Estamos entrando em véspera de eleições. Espero que
sejamos iluminados para nossa nova escolha recair em
alguém para administrar nossos municípios, que no mínimo
tenham austeridade nas suas ações, dignidade e
humanidade para com nossos semelhantes, e
responsabilidades com nosso futuro. É pena, mas é
verdade: Os governantes de hoje, foram escolhidos pela
ampla maioria dos votantes, ou alguém não se sente
culpado? Temos o que a maioria escolheu. Rogo pelo
amadurecimento do povo brasileiro, que pelo menos
tenhamos lembranças na nossa hora da votação...
Que as negativas sejam tão somente exemplos distantes
que acompanhamos pela TV. Não esqueçamos, dentro em
breve estaremos elegendo novamente o Presidente, o
Governador, os Deputados Federais e Estaduais, os
Vereadores e o Prefeito. O tempo passa rápido. Espero
ainda ter tempo de ver o Brasil diferente! Pelo menos é
o que desejo para meus filhos...
Pois, que Brasil é este?
Alegrete, 15 de março de 2004.
CÉSAR AUGUSTO PIRES MOUTINHO
Engenheiro Agrônomo
CIC 444.707.030-87.
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A
INVERSÃO DOS VALORES DA SOCIEDADE MODERNA. |
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Este na realidade é um desabafo de um Produtor Rural,
Engenheiro Agrônomo, que há muito tempo vem frustado com
o rumo da nossa sociedade moderna.
As pessoas não mais são vistas como seres humanos, com
direitos e deveres, como cidadãos. Simplesmente são
massa de manobra para o interesse de poucos, porém
governantes, e diga-se de passagem, escolhidos pela
maioria, onde conclui-se que o tão propagado interesse
pelo bem-comum, resume-se no interesse próprio de
manutenção do poder, pois esta é a real intenção das
conhecidas campanhas de reeleições.
Cresci, valorizando o trabalho, a honestidade, a
solidariedade, e acima de tudo, criado para respeitar o
próximo nas suas individualidades. Como Engenheiro
Agrônomo, fui treinado para produzir alimentos cada vez
mais baratos com qualidade e quantidade, sempre pensando
no bem comum, pensando num amanhã promissor para nossos
filhos, enfim, pensando no futuro...
Hoje, percebemos nossa comunidade, vivenciando uma
realidade incomum, ou pelo menos, diferente daquela em
que fui criado. Hoje valorizamos acima de tudo o
dinheiro, sejamos nós ricos ou pobres. Por este motivo,
é que percebo que irmãos de pouca posse, saiam a procura
do alheio, para talvez suprirem suas necessidades
básicas. Outros traficam, como forma de trabalho para
seu sustento. Outros ainda, matam por R$ 10,00 (exemplos
todos os dias nos jornais), e o que é pior, adolescentes
matam outros jovens por um tênis de grife...
Nossa Educação encontra-se à beira de um colapso...
Acompanhamos os “trabalhadores da educação”, não os
verdadeiros Professores, os verdadeiros Mestres, os
legítimos Educadores, fazerem as maiores barbáries com
adolescentes, quando aliciam crianças e jovens - em sala
de aula o que é pior, a raciocinarem com verdadeiro ódio
às questões ordeiras.
É possível leitores, que uma criança de 10-12 anos,
tenha raciocínio lógico para discutir latifúndio,
minifúndio, reforma agrária, enfim estas questões
notórias, em sala de aula? Será que um “trabalhador da
educação” tem preparo suficiente para colocar estes
assuntos em sua classe? Será que não existe outro
propósito que não seja o de incutir uma visão
político-partidária a respeito do assunto? Por quê com
adolescentes?
É o que temos observado acontecer em nossas escolas...
A partir de Janeiro/88, quando colei grau (Fac.Agronomia-UFRGS),
comecei meu trabalho numa parceria agropecuária
familiar, onde produzíamos arroz, sorgo, soja, e
pecuária de corte. Pasmem leitores, que com toda minha
formação, com todo meu interesse e vibração da
juventude, me vi rodeado de planos econômicos,
frustrações de safra (cheias, sêcas, granizos, frios
extemporâneos), importações de alimentos de parte do
Governo Federal, quando o preço dos produtos agrícolas
tinham tendência de suba, enfim, a partir daí a situação
no campo virou um verdadeiro caos.
Acompanhei também o confisco no campo, lembram do boi no
pasto?
E do Grito do Campo?
Resultado: Terminou-se a parceria agrícola, com dívidas
junto ao Banco do Brasil, que ainda estão sendo
saldadas... E não foi por falta de trabalho e capacidade
técnica, tenham certeza disso.
Estamos negociando e quitando nossos débitos. Não somos
aqueles “Caloteiros do Presidente FHC”! Como Gaúchos,
honramos nossos compromissos!
Quem de fato produz neste País, não tem a valorização
que merece!
Quando chega a hora do produtor rural receber por seu
trabalho, ganhar dinheiro (quem não trabalha por
dinheiro?), quando seu produto seria valorizado, aí o
governo, sábiamente importa alimentos, para não deixar
que os novos preços reflitam na inflação. É o controle
de preços e produtos...
O povo precisa comer barato! Palavras dos governantes.
Quem paga por isto? A famosa âncora verde do plano real!
Em minha última safra (já não produzo mais alimentos
desde 1998-hoje sou prestador de serviços), o preço do
óleo diesel era aproximadamente R$ 0,36/litro.
Atualmente ronda a casa de R$ 1,00. Cadê a estabilização
dos índices inflacionários? Por quê os produtos
agrícolas precisam ser controlados?
Senhores(as) leitores(as):
O dinheiro cria-se em três situações!
1. Extrativismo, Mineração, etc;
2. Prestação de Serviços;
3. Produção Primária.
O restante é transformação do dinheiro! (setores
secundário e terciário, que agregam valores aos produtos
primários).
Por quê os governos não tratam bem quem produz?
Tem valorização outrossim, aqueles que nem do campo são!
É notório, é sabido, que a maioria dos integrantes do
MST não tem ligação alguma com o campo. Aqui no meu
Alegrete, andavam tempos atrás integrantes desta
milícia, aliciando pessoas a integrarem seu movimento.
Hoje o Alegrete já conta com 2 invasões! A imprensa
precisa mostrar o que faz este movimento nas
propriedades rurais! Vamos “espraiar” a realidade à
todos os gaúchos, à todo o Brasil, pois acredito que a
grande maioria da nossa população apóia o MST por
desconhecimento.
É possível querido leitor, que ao sair de uma
propriedade invadida, o MST deixe para trás máquinas
agrícolas com terra dentro do tanque de combustível?
É aceitável leitores, que este movimento abata animais
para uso dentro de seus acampamentos? Animais que têm
dono!
Não seria isto um roubo? Onde fica a punição?
Onde está a justiça? Onde estão nossos valores?
Será que a nossa sociedade apóia estas atitudes?
Nosso Governo Estadual está apoiando, na medida em que
protege este Movimento! Será Governador, que esta
conduta do MST é Justa?
Onde está o Governo de “TODOS” os Gaúchos?
Vamos apoiar quem na terra trabalha, não estes
baderneiros!
Se existe proprietário rural, certamente alguém labutou
para adquirir!
Ou nossos valores como sociedade organizada estão
mudando?...
Em Alegrete, 22 de outubro de 2001.
Assinado:
CÉSAR AUGUSTO PIRES MOUTINHO
Engenheiro Agrônomo CREA/RS 65.715-D
CIC 444.707.030-87
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CAPIM
ANONNI: ERRADICAR OU CONVIVER? |
Todos temos consciência que
o CAPIM ANONNI (Eragrostis plana) está disseminado em
todo o rio grande, sendo extremamente difícil seu
combate. Depois de instalar-se numa propriedade, seu
combate é problemático, a menos que utilizemos
ferramentas como o controle químico, que acaba sendo
oneroso e às vezes impraticável economicamente.
Sua entrada no estado data dos anos 60, e de lá para cá
pouca coisa foi feita para combatê-lo. Chegou até a ser
cultivado, pois alguns pecuaristas ainda acreditam em
plantas milagrosas em seus criatórios, esquecendo-se que
temos ótimo material genético em nosso CAMPO NATIVO, e
que precisamos conhecê-lo melhor para aumentarmos a
produção de carne, leite e lã.
Que fazer então?
Quem já andou pelo interior do Uruguay, nota que lá a
presença do anonni é mínima. Os campos daquele país
vizinho são bem empastados, com excelente cobertura
vegetal e sempre que observamos os animais, notamos seu
ótimo estado corporal.
Não seria este um indicativo que a presença do CAPIM
ANONNI em nossas propriedades se dá justamente pela alta
lotação de nossos campos?
Sim, pois ele instala-se onde há condições de
germinação! É uma espécie altamente agressiva, que
necessita de luz para desenvolver-se, bem como solo
desnudo para fixar-se. Após fixado, difícil é sua
retirada.
Se nossos campos tivessem uma cobertura vegetal farta,
onde não houvesse espaço para permitir que a minúscula
semente do CAPIM ANONNI se fixasse para desenvolver-se,
aí sim estaríamos combatendo esta praga, como alguns
técnicos a consideram.
"O capim anonni deve ser tratado com a mesma preocupação
e com o mesmo nível de alerta que a febre aftosa no RS."
- Carlos Nabinger, Prof. do Departamento de Plantas
Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS; Correio do Povo
de 02/02/04.
Para combatê-lo temos de conhecê-lo melhor. Eis algumas
de suas características:
• Ciclo de vida perene;
• Ciclo produtivo estival (primavera-verão);
• Baixa palatabilidade;
• Baixa qualidade alimentar;
• Folhas muito finas e fibrosas;
• Sistema radicular agressivo, profundo, vigoroso e
ramificado, o que facilita sua rebrota;
• Possui efeitos alelopáticos - na sua volta não
desenvolvem-se outras espécies;
• Difícil arranque, especialmente em períodos secos;
• Espécie de alta produção de sementes, sendo que 1 Kg
de sementes pode conter aproximadamente 4.900.000
(quatro milhões e novecentos mil) grãos;
• Banco de sementes abundante, que pode durar mais de 10
anos no solo, e com alto poder germinativo.
Me parece que necessitamos definir uma política de
combate a esta reconhecida praga.
Existem aqueles ainda que a defendem, pois aprenderam a
manejá-la (quem não pode com o inimigo, tem de aliar-se
a ele...). Dizem que é possível manter alta lotação em
campos infestados de CAPIM ANONNI, e que conseguem
engordar animais com este pasto. Falta trabalho e
comprovação da pesquisa oficial, neste caso.
É, existem os prós e os contras...
Creio que poderíamos definir algumas estratégias de ação
para combater o CAPIM ANONNI:
• Prevenção de entrada em nossas propriedades - mediante
o manejo adequado de pastoreio, que evite a formação dos
"rapadouros", ou solo desnudo. Devemos promover uma
formação de cobertura vegetal que servirá de verdadeiros
tapetes de pastos vigorosos, que impedirão a entrada
desta indesejada espécie vegetal;
• Inspeções regulares, com o fim de determinar a
presença e imediata eliminação deste capim;
• Em campos em que o CAPIM ANONNI já instalou-se, evitar
a ressemeadura, eliminando as plantas presentes.
Enquanto o número de plantas for pequeno, é fácil seu
combate;
• Em campos invadidos, com alta infestação, somente com
o uso de herbicidas, formação de pastagens e rotação de
culturas, é possível minimizar este problema. Cabe
salientar que em nenhuma hipótese devemos "virar",
revolver o solo, sendo recomendável o USO DA TECNOLOGIA
DO PLANTIO DIRETO. O número de sementes viáveis
presentes no solo, em áreas invadidas pelo CAPIM ANONNI
é algo incalculável, razão pela qual não devemos
trabalhar este solo.
• Recomendo também a escolha de espécies de hábito
rizomatoso, pois a anonni sente a competição com
espécies deste sistema radicular. Um bom exemplo é a
Pensacola (Paspalum saurae), que permite alto pisoteio,
produzindo forragem de setembro até meados de
abril/maio, época também em que o anonni desenvolve-se.
Seu estabelecimento dá-se via sementes.
Bagé já tomou a iniciativa de combate a esta "Praga",
aplicando herbicidas em suas estradas e corredores.
Prefiro pensar o problema, como um problema de Segurança
Alimentar, em que o governo deveria ser o primeiro
interessado em solucioná-lo, pois muita carne, leite e
lã estão deixando de ser produzidos em decorrência da
presença do CAPIM ANONNI em nossos campos. Poderíamos
declará-lo com uma espécie proibida nos campos gaúchos e
criar um sistema de combate estadual. Nosso vizinho
Uruguay já tem o seu plano, aplicando-o desde meados dos
anos 80, época em que nós gaúchos contribuímos para
infestar seus campos com esta espécie, pois sua
propagação dá-se também pelo vento, além dos cascos dos
animais, rodas e pneus automotivos.
É possível erradicá-lo? Neste caso, a que custo?
Ou temos de conviver com sua presença?
César Moutinho
Engenheiro Agrônomo
Em Alegrete, 16 de fevereiro de 2004. |
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IDENTIFICAÇÃO DE ANIMAIS X RASTREABILIDADE |
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Quem se
habilita a identificar no seu rebanho de cria, a fêmea
que concebeu ano passado? Será que a mesma repetiu
prenhês este ano?
Não importa o tamanho do rebanho, o fato é que é muito
difícil a identificação dos animais, se levarmos em
conta que necessitamos conhecê-los para um correto
manejo da reprodução.
Já no ano de 1993, escrevia uma coluna chamada RUMO
VERTICAL, no extinto Jornal Amanhã, onde discorria sobre
vários assuntos ligados à produção primária. Naquela
época nem se sonhava em Rastreabilidade, mas como
ferramenta de trabalho para o profissional da pecuária,
sabíamos da importância da IDENTIFICAÇÃO DOS ANIMAIS.
Neste sentido, acredito que um dos gargalos da produção
de terneiros em pecuária de corte, seja o manejo correto
da reprodução animal. Soma-se a isto, a disponibilidade
forrageira, fator da maior importância para um rebanho
de cria externar seu potencial produtivo, ou seja, sem
alimentação não há criador eficiente!
Qual seria então o correto manejo da reprodução animal?
Entendo que se nós adequarmos a época de parição, com a
época de maior produção de pasto (primavera), colheremos
excelentes resultados, pois a vaca/novilha, enfim a
fêmea que deu cria, precisa de muita disponibilidade
alimentar para recuperar-se do parto e produzir leite
suficiente para alimentar seu terneiro. Daí a alta
necessidade de alimentos neste período. Parece simples,
mas é bastante complexo... Creio que a mão de um técnico
ajudaria em muito o manejo proposto, pois o produtor
rural tem de ter a consciência, que antes de um produtor
de terneiros/carne, ele tem de ser um ótimo produtor de
pastos.
Neste sentido também, sou convicto que uma ferramenta
que auxiliaria muito os produtores de maneira geral,
seria a Identificação de todos os animais da
propriedade, independente de tamanho. É muito difícil
num rebanho médio, diríamos de 100-150 fêmeas, sabermos
qual deu cria no ano anterior e qual falhou. Concordam?
Em rebanhos pequenos, até aceito seja possível
identificar os animais que não estão produzindo. O
descarte neste caso é facilitado, pois os animais
improdutivos devem ser desprezados.
Esta ferramenta, serve então para auxiliarmos na seleção
dos animais desejados em nosso sistema de produção.
Falhas, descartes. O bom produtor oferece as melhores
condições ambientais para que seus animais possam
externar seu potencial produtivo, pois tais condições
são as mesmas para o animal produtivo e para o animal
improdutivo. Porquê então mantê-los na propriedade se
não estão produzindo?
Como identificar os animais? Rastrear é a mesma coisa
que identificar? - Sim e não.
Sobre a importância da identificação dos animais já
discorremos sobre o assunto.
Rastrear é conhecer a fundo tudo sobre manejo,
tratamentos dispensados aos animais, e sua criação desde
o nascimento até a saída da propriedade, seja para venda
como animal terminado, ou a simples venda para outro
produtor.
Concluímos então que a RASTREABILIDADE, também deve ser
encarada como outra ferramenta da maior importância para
a pecuária em geral.
Quando compramos, gostaríamos de saber toda a história
do rebanho (vacinas, vermífugos, alimentação, etc.),
pois entendemos que facilitaria o manejo destes animais.
Certamente quando os vendermos, também deveremos
informar o tratamento dispensado aos mesmos.
Imaginemos estas informações à nível de consumidor! Quem
não gostaria de saber que tratamento teve o animal que
agora, como consumidores nos fornece o bife, a picanha,
a maminha, as costelas em nossos churrascos? Será que a
dona-de-casa não gostaria de saber a origem da carne que
está consumindo nas refeições da sua família? Este
animal que consumimos está livre de doenças e
endoparasitas? O abate destes animais foi acompanhado
por técnicos especializados da Fiscalização Sanitária? O
Frigorífico que os abateu, tinha S.I.F.(Serviço de
Inspeção Federal)? Ou S.I.M. (Serviço de Inspeção
Municipal)?
Caros Produtores Rurais:
Encaremos esta tecnologia da RASTREABILIDADE como uma
ferramenta útil ao nosso negócio de produtores de carne!
Não pensemos no custo inicial, e sim nos benefícios que
advirão quando a adotarmos. Um benefício direto como
consumidores, é que estaremos consumindo um produto com
origem conhecida, pois saberemos exatamente de onde veio
o corte comprado para nossa mesa. E mais ainda,
saberemos que tratamento teve este animal, desde seu
nascimento até ser abatido pelo Frigorífico. Mais, quem
foi o Técnico que acompanhou o abate? Também é possível
Rastrearmos!
Tem o clandestino ainda, este com tendência de diminuir,
pois se todos os consumidores exigirem e solicitarem a
procedência da origem, como explicar-se-ão os
abigeatários?
Portanto, Rastreabilidade é a Palavra de Ordem!
Em nosso negócio, da porteira para dentro, só vantagens,
pois o uso desta tecnologia facilita os manejos
sanitário, alimentar e da reprodução animal.
CÉSAR AUGUSTO PIRES MOUTINHO.
Eng.Agrônomo - (055) 9945 1772
Alegrete, 06 de outubro de 2003.
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