Artigos Técnicos

Qualidade na Semente de Arroz.

O processo de produção do arroz irrigado passa por várias etapas. Hoje, o IRGA multiplica a idéia de que temos potencial de produção ao redor de 10.000 Kgs por hectare. Porquê então estamos estacionados em aproximadamente 6.000 kgs/ha?

Inúmeros são os motivos pelos quais colhemos o indicado na média de produção, que diga-se de passagem é maior que a média estadual. Parabéns aos produtores que alcançam uma média igual ou superior aos 6.000 Kgs/ha! De outro lado, temos de perseguir este alto potencial produtivo, pois na verdade estamos deixando de ganhar.

Alguns itens importantes no processo produtivo, a seguir serão comentados:

* Preparo do solo - hoje cabe ressaltar a importância do cultivo mínimo, plantio direto, sistematização, enfim todos estes sistemas de produção que agridem o mínimo possível nosso bem maior que é o solo, pois o estamos protegendo para nossas futuras gerações, se assim o utilizarmos.

* Época de Plantio - talvez o item mais significativo em termos de rendimento por área agrícola. Não pode o produtor em hipótese alguma errar a época de plantio. Tem de ser de acordo com a recomendação da pesquisa. Faça chuva ou faça sol...

* Adubação - item de grande importância num empreendimento agrícola, pois se não fornecermos alimento à planta cultivada, como poderá ela externar seu potencial de produção? Especial atenção ao item fertilidade deverá ser dispensada. Tecnologia disponível e indispensável atualmente. Talvez um dos itens que mais respostas dão ao produtor. Ferramenta importante portanto, e que todos deveriam ater-se para obter altos rendimentos.

* Combate aos inços - a competição das "ervas daninhas" com a planta cultivada é outro item onde a atenção do produtor deve ser igualmente especial, pois pode o produtor perder, diminuir sua colheita se o mesmo não for bem sucedido. Um bom planejamento estratégico deve primar na atenção ao combate dos inços.

* Manejo da Água - assim como o combate aos inços, a entrada da irrigação no processo produtivo, exige que o arrozeiro seja profissional. Sabe-se da importância deste insumo na lavoura de arroz, pois de nada adianta combatermos as ervas daninhas, se não tivermos água disponível, assim que terminada a aplicação dos defensivos. Ou seja, aumenta a eficiência no controle dos inços a irrigação imediata após a aplicação química.

* Controle de pragas - atualmente é recomendável o monitoramento da lavoura, pois as pragas estão habitando o mesmo local do empreendimento agrícola, senão o mesmo, as redondezas da área. O controle destas pragas dar-se-á em função do número de insetos/pragas que estão infestando a área, só cabendo o controle químico, na medida em que o dano for significante, ou que justifique o seu combate.

Creio que de maneira genérica consegui dar algumas pinceladas sobre o empreendimento duma lavoura de arroz irrigado, para altas produções.

De nada adianta atentarmos a tudo isto comentado até aqui se não iniciarmos pelo início. Redundância?

Uma lavoura bem conduzida começa na utilização de uma boa semente. Esta é a chave de todo o nosso negócio de produção de grãos.

Como então deveria ser a qualidade desta semente?

Coloco como importância primeira a procedência do produto. O produtor tem de saber a procedência, de preferência conhecer a unidade produtora, saber a origem da semente (lavoura em que a mesma foi produzida), quais foram seus tratos até apresentar-se como semente. O processo de produção de sementes começa na lavoura, ainda que alguém pense ser possível produzir sementes de boa qualidade numa UBS (Unidade de Beneficiamento de Sementes).

Algo da maior importância em sementes é o ponto de colheita. Às vezes até possuímos uma excelente área com produto que se enquadra aos padrões sementeiros, porém na época da colheita, ocorrem chuvas sucessivas até conseguirmos efetivamente colhermos a área. Ocorre o que chamamos de ponto fisiológico na colheita, ultrapassado em casos de chuvas excessivas neste período, pois o grão uma vez que é um ser vivo, respira, absorve água durante a chuva, e a perde quando abre o sol. Se o período é chuvoso, as perdas são constantes em termos de germinação. Cada vez que isto acontece, o grão perde o potencial germinativo, pois em absorvendo umidade e respirando, seu metabolismo está ativo, e naturalmente a planta necessita perpetuar-se e inicia o processo germinativo. Gasta desta forma, suas reservas no embrião, o que certamente compromete o percentual de germinação. Daí ser importante os cuidados neste período de colheita.
Também a presenças de espécies nocivas (toleradas e proibidas) devem ser cuidadas, pois suas presenças impedem que o grão seja considerado semente. Arroz preto - nociva proibida e Arroz vermelho-nociva tolerada; Guanxuma como espécie tolerada também, só para citar alguns exemplos.

Existem normas e padrões de produção de sementes para o estado do Rio Grande do Sul, fiscalizados pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, mais específicamente pelo Departamento de Produção Vegetal desta Secretaria de Estado.

O produtor deve levar seu empreendimento agrícola sempre com o maior capricho possível, pois também pode produzir a sua semente, constituindo-se este fato hoje da maior importância, pois é um procedimento já bastante adotado no meio arrozeiro alegretense.

Produzir sua própria semente, como fator de redução de custos é desafio à todos, pois logicamente aumentam suas margens de lucro na lavoura, ou ainda reduzem-se os custos unitários dos sacos de arroz produzidos. É assim importante saber quem irá processar a semente no pós-colheita. Não basta passar este produto numa pré-limpeza. Numa UBS bem formatada tem de estar disponível uma boa recepção ao produto, de forma que a hipótese de haver mistura varietal seja nula, ou quase zero. O processo de secagem também tem de ser especialmente cuidadoso. Temperaturas muito elevadas podem comprometer o processo germinativo futuro desta semente. Um armazenamento adequado, com bom controle de pragas e arejamento seria considerado também de alta importância. Quem irá prestar este serviço qualificado deve ser uma empresa idônea, pois trocas de produtos são constantes em UBSs.

Outro fator atual e importante ressaltar, é uma vez o produtor fazendo sua própria semente, estará mantendo um banco genético que num futuro bem próximo, poderemos o estar substituindo por materiais genéticamente modificados. Daí tudo decorrente desta nova tecnologia, será consequência, pois certamente àqueles que a desenvolverão nos cobrarão royaltties.

Com este pequeno artigo, gostaria de ter contribuído ao processo de produção de arroz alegretense, pois entendo que o mesmo para o município é da maior relevância, uma vez que é gerador de riquezas, empregos diretos e indiretos, impostos, enfim, gerador de qualidade de vida à todos envolvidos na Cadeia Produtiva do Arroz.

César Augusto Pires Moutinho.
Engenheiro Agrônomo.
cesar.moutinho@net.crea-rs.org.br

 

Que Brasil é este?


Ultimamente temos acompanhado as mudanças de comportamento do Povo Brasileiro, a partir de nossos governantes, que são reflexos de nossas escolhas.

O cidadão está proibido de armar-se. Se algum cidadão de bem for pego armado, cadeia, como crime inafiançável!

Esta é uma nova MP, lançada agora pelo Governo que antigamente repudiava o governar por MP, de FHC.

Desarma-se o cidadão, como medida punitiva a quem quer tão somente proteger-se, já que o estado não toma as atitudes que deveria. Em contrapartida, o marginal corre livremente pelas ruas das cidades, e armado. Sem que ninguém o interpele, realiza seu labor, que é justamente o assaltar e apoderar-se do que não é seu de direito, usufruindo do bem que apoderou-se. Seja para compra de drogas, seja para seu sustento, seja para o que for...

Alegrete viveu uma onda de assaltos a mão armada, jamais vista por estas bandas. Agentes Lotéricos apavorados, transeuntes cuidando-se nas vias públicas para não serem assaltados, lojas e estabelecimentos comerciais instalando câmaras de vídeos e alarmes como medidas preventivas, cercas eletrificadas em muros cada vez mais altos nas residências, enfim todo um aparato está sendo montado com o único objetivo de protegerem-se.

E o estado, que tem a obrigação de manter a ordem pública onde anda?

A polícia depende da boa vontade dos contribuintes, pois estes, quando necessitam do amparo policial, ainda têm de contribuir com gasolina. Nossos governantes que elegeram-se à base de promessas, entre elas a da segurança pública, agora sentem-se amarrados à situação falimentar do Estado. Não sabiam?

Nossos "azuizinhos", não podem utilizar armas, pois assim nossa legislação não permite. A razão seria que a densidade demográfica é pequena para o município, sendo facultado o uso de armas de fogo pela guarda municipal, somente à municípios que possuem mais de 500.000 habitantes.

Desarmaram o cidadão! E o ladrão?

Qual o interesse em desarmar o cidadão?

Também estamos acompanhando os últimos acontecimentos do Caso Waldomiro Diniz. No mínimo, há indícios de corrupção! Necessita averiguação! E punições, se comprovadas as acusações!

Neste caso, o governo está agindo como aquele marido traído, que mesmo sabendo da infidelidade da esposa no sofá da sua sala, resolve tomar uma medida drástica: troca de sofá!

Agora, como houve publicação da podridão do governo via TV, escancarados aos quatro ventos, resolve como medida punitiva fechar os Bingos. Outra MP (mais MP...- lembram do FHC Presidente?)! Como é fácil governar por MP! Será que todos envolvidos com os Bingos têm culpa nesta maracutaia? Como começaram os Bingos, se o jogo no Brasil ERA proibido? Não seria de bom alvitre, ir na causa para corrigir o problema? Onde está vossa austeridade Sr. Presidente? Que dizer de vosso ajudante, Sr. José Dirceu? Não sabia do problema, mas era íntimo do Sr. Waldomiro Diniz. Só quero entender...

Diariamente em nossos lares, entra via TV a maior podridão, afetando o comportamento da população brasileira, pois mais vale a ação dos malfeitores do que as ações dos benfeitores. Parece que só ganham aquelas pessoas que fazem de tudo para se dar bem na vida, mesmo que passem por cima de tudo e todos, ainda que com algum custo, até de vidas humanas. Somos realmente o país da Lei de Gérson, aquele que só leva vantagem em tudo, certo?

Quem trabalha honestamente neste país não tem vez!

Pelo menos é o que parece, pois estão aí a nos lembrar os Lalaus, os Waldomiros, os Sérgios Naias. Dá pena saber que estamos deixando para nossas gerações futuras um país que precisa ser refeito, pois como está, creio que estamos partindo para uma convulsão social. Temos saída? Que dizer da forma como estamos sendo governados?

Onde está a austeridade governamental?

Em nossos lares, quando o cinto aperta, somos os primeiros a reagir, apertando-o, não é mesmo? Somos muito hábeis em trocar bens de consumo, em substituir necessidades, enfim, em economizar para multiplicar nossos ganhos. Pelo menos para que represente maiores ganhos.

No mínimo esperamos que os governos ajam da mesma forma, ou seja, economizando. Mas observamos que o governo segue gastando. Vejamos o número de CC's em cada governo! Entra governo e sai governo e a ciranda dos CC's aumenta, jamais diminui...

Atitude fácil para contornar a receita: subam-se as alíquotas para aumentá-la. Assim é fácil, pois a partir de hoje, também resolvi aumentar meu salário! Quem me pagará? Pena que sou autônomo... Como seria fácil agirmos assim? - É assim que o governo age! Cadê a austeridade tão propalada? E não falo só na esfera federal, na estadual também.

Nosso Rio Grande do Sul, nunca passou por tão vexatória situação, de não ter como pagar seu funcionalismo. É uma vergonha!

Estamos entrando em véspera de eleições. Espero que sejamos iluminados para nossa nova escolha recair em alguém para administrar nossos municípios, que no mínimo tenham austeridade nas suas ações, dignidade e humanidade para com nossos semelhantes, e responsabilidades com nosso futuro. É pena, mas é verdade: Os governantes de hoje, foram escolhidos pela ampla maioria dos votantes, ou alguém não se sente culpado? Temos o que a maioria escolheu. Rogo pelo amadurecimento do povo brasileiro, que pelo menos tenhamos lembranças na nossa hora da votação...

Que as negativas sejam tão somente exemplos distantes que acompanhamos pela TV. Não esqueçamos, dentro em breve estaremos elegendo novamente o Presidente, o Governador, os Deputados Federais e Estaduais, os Vereadores e o Prefeito. O tempo passa rápido. Espero ainda ter tempo de ver o Brasil diferente! Pelo menos é o que desejo para meus filhos...

Pois, que Brasil é este?


Alegrete, 15 de março de 2004.



CÉSAR AUGUSTO PIRES MOUTINHO
Engenheiro Agrônomo
CIC 444.707.030-87.

 

A INVERSÃO DOS VALORES DA SOCIEDADE MODERNA.


Este na realidade é um desabafo de um Produtor Rural, Engenheiro Agrônomo, que há muito tempo vem frustado com o rumo da nossa sociedade moderna.
As pessoas não mais são vistas como seres humanos, com direitos e deveres, como cidadãos. Simplesmente são massa de manobra para o interesse de poucos, porém governantes, e diga-se de passagem, escolhidos pela maioria, onde conclui-se que o tão propagado interesse pelo bem-comum, resume-se no interesse próprio de manutenção do poder, pois esta é a real intenção das conhecidas campanhas de reeleições.
Cresci, valorizando o trabalho, a honestidade, a solidariedade, e acima de tudo, criado para respeitar o próximo nas suas individualidades. Como Engenheiro Agrônomo, fui treinado para produzir alimentos cada vez mais baratos com qualidade e quantidade, sempre pensando no bem comum, pensando num amanhã promissor para nossos filhos, enfim, pensando no futuro...
Hoje, percebemos nossa comunidade, vivenciando uma realidade incomum, ou pelo menos, diferente daquela em que fui criado. Hoje valorizamos acima de tudo o dinheiro, sejamos nós ricos ou pobres. Por este motivo, é que percebo que irmãos de pouca posse, saiam a procura do alheio, para talvez suprirem suas necessidades básicas. Outros traficam, como forma de trabalho para seu sustento. Outros ainda, matam por R$ 10,00 (exemplos todos os dias nos jornais), e o que é pior, adolescentes matam outros jovens por um tênis de grife...
Nossa Educação encontra-se à beira de um colapso...
Acompanhamos os “trabalhadores da educação”, não os verdadeiros Professores, os verdadeiros Mestres, os legítimos Educadores, fazerem as maiores barbáries com adolescentes, quando aliciam crianças e jovens - em sala de aula o que é pior, a raciocinarem com verdadeiro ódio às questões ordeiras.
É possível leitores, que uma criança de 10-12 anos, tenha raciocínio lógico para discutir latifúndio, minifúndio, reforma agrária, enfim estas questões notórias, em sala de aula? Será que um “trabalhador da educação” tem preparo suficiente para colocar estes assuntos em sua classe? Será que não existe outro propósito que não seja o de incutir uma visão político-partidária a respeito do assunto? Por quê com adolescentes?
É o que temos observado acontecer em nossas escolas...
A partir de Janeiro/88, quando colei grau (Fac.Agronomia-UFRGS), comecei meu trabalho numa parceria agropecuária familiar, onde produzíamos arroz, sorgo, soja, e pecuária de corte. Pasmem leitores, que com toda minha formação, com todo meu interesse e vibração da juventude, me vi rodeado de planos econômicos, frustrações de safra (cheias, sêcas, granizos, frios extemporâneos), importações de alimentos de parte do Governo Federal, quando o preço dos produtos agrícolas tinham tendência de suba, enfim, a partir daí a situação no campo virou um verdadeiro caos.
Acompanhei também o confisco no campo, lembram do boi no pasto?
E do Grito do Campo?
Resultado: Terminou-se a parceria agrícola, com dívidas junto ao Banco do Brasil, que ainda estão sendo saldadas... E não foi por falta de trabalho e capacidade técnica, tenham certeza disso.

Estamos negociando e quitando nossos débitos. Não somos aqueles “Caloteiros do Presidente FHC”! Como Gaúchos, honramos nossos compromissos!
Quem de fato produz neste País, não tem a valorização que merece!
Quando chega a hora do produtor rural receber por seu trabalho, ganhar dinheiro (quem não trabalha por dinheiro?), quando seu produto seria valorizado, aí o governo, sábiamente importa alimentos, para não deixar que os novos preços reflitam na inflação. É o controle de preços e produtos...
O povo precisa comer barato! Palavras dos governantes.
Quem paga por isto? A famosa âncora verde do plano real!
Em minha última safra (já não produzo mais alimentos desde 1998-hoje sou prestador de serviços), o preço do óleo diesel era aproximadamente R$ 0,36/litro. Atualmente ronda a casa de R$ 1,00. Cadê a estabilização dos índices inflacionários? Por quê os produtos agrícolas precisam ser controlados?

Senhores(as) leitores(as):
O dinheiro cria-se em três situações!
1. Extrativismo, Mineração, etc;
2. Prestação de Serviços;
3. Produção Primária.

O restante é transformação do dinheiro! (setores secundário e terciário, que agregam valores aos produtos primários).
Por quê os governos não tratam bem quem produz?
Tem valorização outrossim, aqueles que nem do campo são! É notório, é sabido, que a maioria dos integrantes do MST não tem ligação alguma com o campo. Aqui no meu Alegrete, andavam tempos atrás integrantes desta milícia, aliciando pessoas a integrarem seu movimento. Hoje o Alegrete já conta com 2 invasões! A imprensa precisa mostrar o que faz este movimento nas propriedades rurais! Vamos “espraiar” a realidade à todos os gaúchos, à todo o Brasil, pois acredito que a grande maioria da nossa população apóia o MST por desconhecimento.
É possível querido leitor, que ao sair de uma propriedade invadida, o MST deixe para trás máquinas agrícolas com terra dentro do tanque de combustível?
É aceitável leitores, que este movimento abata animais para uso dentro de seus acampamentos? Animais que têm dono!
Não seria isto um roubo? Onde fica a punição?
Onde está a justiça? Onde estão nossos valores?
Será que a nossa sociedade apóia estas atitudes?
Nosso Governo Estadual está apoiando, na medida em que protege este Movimento! Será Governador, que esta conduta do MST é Justa?
Onde está o Governo de “TODOS” os Gaúchos?
Vamos apoiar quem na terra trabalha, não estes baderneiros!
Se existe proprietário rural, certamente alguém labutou para adquirir!
Ou nossos valores como sociedade organizada estão mudando?...

Em Alegrete, 22 de outubro de 2001.
Assinado:
CÉSAR AUGUSTO PIRES MOUTINHO
Engenheiro Agrônomo CREA/RS 65.715-D
CIC 444.707.030-87

 

CAPIM ANONNI: ERRADICAR OU CONVIVER?


Todos temos consciência que o CAPIM ANONNI (Eragrostis plana) está disseminado em todo o rio grande, sendo extremamente difícil seu combate. Depois de instalar-se numa propriedade, seu combate é problemático, a menos que utilizemos ferramentas como o controle químico, que acaba sendo oneroso e às vezes impraticável economicamente.

Sua entrada no estado data dos anos 60, e de lá para cá pouca coisa foi feita para combatê-lo. Chegou até a ser cultivado, pois alguns pecuaristas ainda acreditam em plantas milagrosas em seus criatórios, esquecendo-se que temos ótimo material genético em nosso CAMPO NATIVO, e que precisamos conhecê-lo melhor para aumentarmos a produção de carne, leite e lã.

Que fazer então?

Quem já andou pelo interior do Uruguay, nota que lá a presença do anonni é mínima. Os campos daquele país vizinho são bem empastados, com excelente cobertura vegetal e sempre que observamos os animais, notamos seu ótimo estado corporal.

Não seria este um indicativo que a presença do CAPIM ANONNI em nossas propriedades se dá justamente pela alta lotação de nossos campos?

Sim, pois ele instala-se onde há condições de germinação! É uma espécie altamente agressiva, que necessita de luz para desenvolver-se, bem como solo desnudo para fixar-se. Após fixado, difícil é sua retirada.

Se nossos campos tivessem uma cobertura vegetal farta, onde não houvesse espaço para permitir que a minúscula semente do CAPIM ANONNI se fixasse para desenvolver-se, aí sim estaríamos combatendo esta praga, como alguns técnicos a consideram.

"O capim anonni deve ser tratado com a mesma preocupação e com o mesmo nível de alerta que a febre aftosa no RS." - Carlos Nabinger, Prof. do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS; Correio do Povo de 02/02/04.

Para combatê-lo temos de conhecê-lo melhor. Eis algumas de suas características:

• Ciclo de vida perene;
• Ciclo produtivo estival (primavera-verão);
• Baixa palatabilidade;
• Baixa qualidade alimentar;
• Folhas muito finas e fibrosas;
• Sistema radicular agressivo, profundo, vigoroso e ramificado, o que facilita sua rebrota;
• Possui efeitos alelopáticos - na sua volta não desenvolvem-se outras espécies;
• Difícil arranque, especialmente em períodos secos;
• Espécie de alta produção de sementes, sendo que 1 Kg de sementes pode conter aproximadamente 4.900.000 (quatro milhões e novecentos mil) grãos;
• Banco de sementes abundante, que pode durar mais de 10 anos no solo, e com alto poder germinativo.


Me parece que necessitamos definir uma política de combate a esta reconhecida praga.

Existem aqueles ainda que a defendem, pois aprenderam a manejá-la (quem não pode com o inimigo, tem de aliar-se a ele...). Dizem que é possível manter alta lotação em campos infestados de CAPIM ANONNI, e que conseguem engordar animais com este pasto. Falta trabalho e comprovação da pesquisa oficial, neste caso.

É, existem os prós e os contras...

Creio que poderíamos definir algumas estratégias de ação para combater o CAPIM ANONNI:

• Prevenção de entrada em nossas propriedades - mediante o manejo adequado de pastoreio, que evite a formação dos "rapadouros", ou solo desnudo. Devemos promover uma formação de cobertura vegetal que servirá de verdadeiros tapetes de pastos vigorosos, que impedirão a entrada desta indesejada espécie vegetal;
• Inspeções regulares, com o fim de determinar a presença e imediata eliminação deste capim;
• Em campos em que o CAPIM ANONNI já instalou-se, evitar a ressemeadura, eliminando as plantas presentes. Enquanto o número de plantas for pequeno, é fácil seu combate;
• Em campos invadidos, com alta infestação, somente com o uso de herbicidas, formação de pastagens e rotação de culturas, é possível minimizar este problema. Cabe salientar que em nenhuma hipótese devemos "virar", revolver o solo, sendo recomendável o USO DA TECNOLOGIA DO PLANTIO DIRETO. O número de sementes viáveis presentes no solo, em áreas invadidas pelo CAPIM ANONNI é algo incalculável, razão pela qual não devemos trabalhar este solo.
• Recomendo também a escolha de espécies de hábito rizomatoso, pois a anonni sente a competição com espécies deste sistema radicular. Um bom exemplo é a Pensacola (Paspalum saurae), que permite alto pisoteio, produzindo forragem de setembro até meados de abril/maio, época também em que o anonni desenvolve-se. Seu estabelecimento dá-se via sementes.


Bagé já tomou a iniciativa de combate a esta "Praga", aplicando herbicidas em suas estradas e corredores.

Prefiro pensar o problema, como um problema de Segurança Alimentar, em que o governo deveria ser o primeiro interessado em solucioná-lo, pois muita carne, leite e lã estão deixando de ser produzidos em decorrência da presença do CAPIM ANONNI em nossos campos. Poderíamos declará-lo com uma espécie proibida nos campos gaúchos e criar um sistema de combate estadual. Nosso vizinho Uruguay já tem o seu plano, aplicando-o desde meados dos anos 80, época em que nós gaúchos contribuímos para infestar seus campos com esta espécie, pois sua propagação dá-se também pelo vento, além dos cascos dos animais, rodas e pneus automotivos.

É possível erradicá-lo? Neste caso, a que custo?

Ou temos de conviver com sua presença?


César Moutinho
Engenheiro Agrônomo
Em Alegrete, 16 de fevereiro de 2004.

 

IDENTIFICAÇÃO DE ANIMAIS X RASTREABILIDADE

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Quem se habilita a identificar no seu rebanho de cria, a fêmea que concebeu ano passado? Será que a mesma repetiu prenhês este ano?

Não importa o tamanho do rebanho, o fato é que é muito difícil a identificação dos animais, se levarmos em conta que necessitamos conhecê-los para um correto manejo da reprodução.

Já no ano de 1993, escrevia uma coluna chamada RUMO VERTICAL, no extinto Jornal Amanhã, onde discorria sobre vários assuntos ligados à produção primária. Naquela época nem se sonhava em Rastreabilidade, mas como ferramenta de trabalho para o profissional da pecuária, sabíamos da importância da IDENTIFICAÇÃO DOS ANIMAIS.

Neste sentido, acredito que um dos gargalos da produção de terneiros em pecuária de corte, seja o manejo correto da reprodução animal. Soma-se a isto, a disponibilidade forrageira, fator da maior importância para um rebanho de cria externar seu potencial produtivo, ou seja, sem alimentação não há criador eficiente!

Qual seria então o correto manejo da reprodução animal?

Entendo que se nós adequarmos a época de parição, com a época de maior produção de pasto (primavera), colheremos excelentes resultados, pois a vaca/novilha, enfim a fêmea que deu cria, precisa de muita disponibilidade alimentar para recuperar-se do parto e produzir leite suficiente para alimentar seu terneiro. Daí a alta necessidade de alimentos neste período. Parece simples, mas é bastante complexo... Creio que a mão de um técnico ajudaria em muito o manejo proposto, pois o produtor rural tem de ter a consciência, que antes de um produtor de terneiros/carne, ele tem de ser um ótimo produtor de pastos.

Neste sentido também, sou convicto que uma ferramenta que auxiliaria muito os produtores de maneira geral, seria a Identificação de todos os animais da propriedade, independente de tamanho. É muito difícil num rebanho médio, diríamos de 100-150 fêmeas, sabermos qual deu cria no ano anterior e qual falhou. Concordam? Em rebanhos pequenos, até aceito seja possível identificar os animais que não estão produzindo. O descarte neste caso é facilitado, pois os animais improdutivos devem ser desprezados.

Esta ferramenta, serve então para auxiliarmos na seleção dos animais desejados em nosso sistema de produção. Falhas, descartes. O bom produtor oferece as melhores condições ambientais para que seus animais possam externar seu potencial produtivo, pois tais condições são as mesmas para o animal produtivo e para o animal improdutivo. Porquê então mantê-los na propriedade se não estão produzindo?


Como identificar os animais? Rastrear é a mesma coisa que identificar? - Sim e não.

Sobre a importância da identificação dos animais já discorremos sobre o assunto.

Rastrear é conhecer a fundo tudo sobre manejo, tratamentos dispensados aos animais, e sua criação desde o nascimento até a saída da propriedade, seja para venda como animal terminado, ou a simples venda para outro produtor.

Concluímos então que a RASTREABILIDADE, também deve ser encarada como outra ferramenta da maior importância para a pecuária em geral.

Quando compramos, gostaríamos de saber toda a história do rebanho (vacinas, vermífugos, alimentação, etc.), pois entendemos que facilitaria o manejo destes animais. Certamente quando os vendermos, também deveremos informar o tratamento dispensado aos mesmos.

Imaginemos estas informações à nível de consumidor! Quem não gostaria de saber que tratamento teve o animal que agora, como consumidores nos fornece o bife, a picanha, a maminha, as costelas em nossos churrascos? Será que a dona-de-casa não gostaria de saber a origem da carne que está consumindo nas refeições da sua família? Este animal que consumimos está livre de doenças e endoparasitas? O abate destes animais foi acompanhado por técnicos especializados da Fiscalização Sanitária? O Frigorífico que os abateu, tinha S.I.F.(Serviço de Inspeção Federal)? Ou S.I.M. (Serviço de Inspeção Municipal)?

Caros Produtores Rurais:

Encaremos esta tecnologia da RASTREABILIDADE como uma ferramenta útil ao nosso negócio de produtores de carne!

Não pensemos no custo inicial, e sim nos benefícios que advirão quando a adotarmos. Um benefício direto como consumidores, é que estaremos consumindo um produto com origem conhecida, pois saberemos exatamente de onde veio o corte comprado para nossa mesa. E mais ainda, saberemos que tratamento teve este animal, desde seu nascimento até ser abatido pelo Frigorífico. Mais, quem foi o Técnico que acompanhou o abate? Também é possível Rastrearmos!

Tem o clandestino ainda, este com tendência de diminuir, pois se todos os consumidores exigirem e solicitarem a procedência da origem, como explicar-se-ão os abigeatários?

Portanto, Rastreabilidade é a Palavra de Ordem!

Em nosso negócio, da porteira para dentro, só vantagens, pois o uso desta tecnologia facilita os manejos sanitário, alimentar e da reprodução animal.


CÉSAR AUGUSTO PIRES MOUTINHO.
Eng.Agrônomo - (055) 9945 1772

Alegrete, 06 de outubro de 2003.



 

 

                                                                

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